A descoberta de que Amanda Maria Souza de Oliveira, 35 anos, se apresentava como uma adolescente de 12 anos, trouxe inquietação à comunidade e levantou questionamentos sobre segurança e saúde mental.

De acordo com informações apuradas, Amanda teria utilizado a falsa identidade para frequentar ambientes destinados a menores de idade, incluindo instituições de ensino e espaços de convivência juvenil. A prática chamou atenção após inconsistências em documentos e relatos de pessoas próximas, que estranharam sua postura e aparência incompatíveis com a idade declarada.

Autoridades locais investigam se houve tentativa de fraude ou obtenção de benefícios indevidos. Juristas lembram que falsidade ideológica é crime previsto em lei e pode resultar em responsabilização judicial. Psicólogos, por sua vez, destacam que o comportamento pode estar ligado a distúrbios de identidade ou dificuldades emocionais, já que assumir uma idade fictícia pode ser uma forma de escapar das responsabilidades da vida adulta.

O episódio reacende o debate sobre a necessidade de mecanismos mais rigorosos de verificação de identidade em escolas e instituições públicas. Especialistas alertam que situações como essa podem expor crianças e adolescentes a riscos, além de comprometer a confiança da comunidade.

A investigação segue em andamento, e Amanda poderá responder judicialmente pelas irregularidades cometidas.

Um mês e quinze dias. Esse foi o tempo que a nutricionista Renata Magalhães, de 52 anos, cuidou junto com uma amiga de Amanda Maria Souza de Oliveira, uma mulher de 35 anos que fingia ter 12. Segundo ela, o que começou como uma caridade se tornou um caso de dependência emocional e tortura psicológica, que só terminou com a intervenção da polícia e deixou traumas que a perseguem até hoje, três anos após o ocorrido. Na última terça-feira, a farsante foi presa em Santa Catarina, aplicando o mesmo golpe em outra família.

Com a ajuda da amiga, Viviane Henriques, Renata acolheu Amanda, que na época dizia se chamar Maria Eduarda, em um apartamento. As duas de revezavam nos cuidados para que a falsa adolescente nunca ficasse sozinha. Entre roupas, alimentação, cuidados médicos e outas despesas, a nutricionista estima ter gasto de R$ 4 mil a R$ 5 mil com a empreitada.

Primeiro levei ela para a minha casa, mas minha mãe não gostou dela, disse que a achava estranha e me pediu para que a levasse embora. Foi ai que surgiu a ideia de alugar um espaço. Desde que ela chegou, queríamos descobrir sua identidade, procurar um abrigo e avisar as autoridades, como o Conselho Tutelar, mas ela não queria. Gritava, se debatia, chegava até a bater a cabeça na parede e falar que ia se enforcar. Eu ficava com medo, não queria que nada de mal acontecesse — relembra.

Para enganar as mulheres, Amanda contou que tinha vindo para o Rio fugir de um esquema de prostituição comandada pelos pais. Ela alegava que tinha recebido deles altas doses de hormônios, o que justificava o corpo desenvolvido para uma criança de 12 anos. Renata lembra que ela era muito infantil, tanto nos hábitos quando no jeito de falar e que já tinha uma mamadeira entre seus pertences quando chegou na cidade.

Ela já chegou com a mamadeira nas coisas e pediu para eu fazer. Eu fiz. Ela nunca me pediu dinheiro ou coisas de valor, mas fazia questão de escolher coisas de marcas boas. Por exemplo, falava que só gostava de iogurte Ninho. Ela era muito infantil no jeito de falar e reproduzia gestos típicos de autistas, como evitar o olhar. Passava o dia em casa desenhando, só saiu poucas vezes comigo de carro para passear. Levei ela em restaurantes, padarias para tomar café e nas igrejas. Ela era carinhosa e ficou muito apegada a minha, pedia ficar comigo o dia todo— conta.

enata lembra que chegou a cogitar adotar Duda, como chamava carinhosamente a suporta criança, mas que para isso precisava dos documentos da falta menor. Foi ai que decidiu começar a tirar fotos dela escondida e procurar sua identificação.

Eu cheguei a falar com a equipe do Segurança Presente, mas precisava da digital dela e eu não tinha. Comecei a tirar fotos dela escondida e mandei para uma amiga minha que é delegada da Polícia Civil. Com as imagens investigadores descobriram toda a farsa. Eles foram um dia na casa e me pediram pra levar a Duda na delegacia com a desculpa de que íamos ver os papeis da adoção. Lá a delegada me contou a verdade e fiquei com uma sensação de vazio quando percebi que investi meu tempo e minha vontade de ajudar em uma golpista criminosa — desabafa.

Após a prisão em flagrante, a delegada mostrou o histórico de pesquisa de Amanda no celular, onde ela lia sobre os gestos e comportamentos característicos de crianças altistas. Logo que aconteceu o caso, a nutricionista relata que ficou duas semanas sem dormir, por conta do trauma.

Tinha medo que ela voltasse para me perseguir, nunca mais me recuperei. Passei a ter mais dificuldade de confiar nas pessoas. Quando vi que ela foi presa de novo fiquei revoltada, me fez reviver tudo que passei. Não acho que ela faz isso só porque quer ajuda, acho que sente prazer em enganar as pessoas. E se ninguém prender ou internar em uma instituição, ela vai continuar rodando o país enganando outras pessoas. E fico triste que estejam tratando o caso com brincadeiras e memes na internet. A bondade agora virou chacota? A generosidade não pode ser piada— conclui.

Amanda foi presa novamente na última terça-feira, no estado de Santa Catarina, após se passar por uma adolescente de 12 anos conseguiu ser acolhida por uma família durante 14 meses ao construir uma história marcada por supostos abusos, maus-tratos e abandono. Segundo a Polícia Civil, ela conquistou gradualmente a confiança dos moradores e de integrantes de uma igreja até ser informalmente “adotada” pela família, que acreditava estar ajudando uma criança em situação de vulnerabilidade.

De acordo com a polícia, ela se apresentava como “Gabriele” e afirmava ter 12 anos. Durante depoimento, confessou a fraude. Durante os 14 meses em que permaneceu com a família, a suspeita teria adotado comportamentos para sustentar a versão de que era uma criança.

Segundo os investigadores, ela utilizava chupeta, mamadeira e agia como adolescente. Também simulava crises de medo durante a noite para que a mãe adotiva a colocasse para dormir.

Familiares relataram à polícia que tentaram iniciar procedimentos para adoção e buscaram matriculá-la em uma escola. Sempre que esses processos avançavam, porém, ela recorria a chantagens emocionais para impedir a formalização.