O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) emitiu neste sábado (27) uma recomendação urgente a estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas no estado de São Paulo e regiões próximas, após o registro de casos de intoxicação compatíveis com o consumo de produtos adulterados com metanol — substância altamente tóxica e de risco coletivo à saúde pública.
O que se sabe
Há investigações por parte da polícia, segundo a secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado.
As intoxicações notificadas ocorreram em São Paulo (SP), Limeira (SP), Bragança Paulista (SP) e São Bernardo do Campo;
Os casos envolveram bebidas como gin, whisky e vodka compradas em conveniências, mercados informais e bares;
As vítimas incluem pessoas jovens e adultas, de cidades diferentes, e que consumiram álcool em festas, bares e outros lugares;
O tratamento pode incluir antídotos e hemodiálise, sendo o tempo de detecção crucial para a eficácia;
O governo federal e órgãos de saúde, como Anvisa, Ministério da Saúde e Vigilâncias Sanitárias, foram notificados;
Uma reunião do Comitê Técnico do Sistema de Alerta Rápido (SAR) foi marcada para o dia 29 de setembro, para discutir novas medidas de prevenção e controle;
Na capital paulista são dez casos em investigação e duas mortes confirmadas na Grande SP (veja mais abaixo). Quatro deles são investigados pela Polícia Civil, após quatro jovens — dois homens e duas mulheres, com idades entre 23 e 27 anos — internados após consumirem duas garrafas de gin no último dia 1º de setembro, um sábado.
A nota técnica, assinada pelo secretário nacional do Consumidor, Paulo Henrique Pereira, destaca a importância da cooperação entre governo, setor privado e sociedade para combater práticas criminosas de falsificação e proteger os consumidores.
A nota técnica, assinada pelo secretário nacional do Consumidor, Paulo Henrique Pereira, destaca a importância da cooperação entre governo, setor privado e sociedade para combater práticas criminosas de falsificação e proteger os consumidores.
Segundo o Código de Defesa do Consumidor, cabe aos fornecedores garantir a segurança e a informação adequada sobre os produtos. Em casos de risco, podem ser exigidas medidas de recall.
A recomendação tem aplicação imediata em São Paulo, mas pode ser ampliada para outros estados conforme novos dados das autoridades sanitárias e policiais. O Ministério da Justiça reforçou o compromisso em manter diálogo permanente com o setor privado e adotar ações que garantam a segurança dos consumidores brasileiros.
Mortes e intoxicações
Duas pessoas morreram por intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas na capital paulista e em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, segundo informou o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo neste sábado (27) ao g1.
Conforme o órgão, desde junho deste ano, foram confirmados seis casos de intoxicação por metanol, dos quais dois resultaram em óbito. Atualmente, há 10 casos sob investigação com suspeita de intoxicação por consumo de bebida contaminada, na capital. Ainda não se sabe como ocorreram as intoxicações.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde da capital paulista informou que a vítima em São Paulo é um homem de 54 anos, morador da região da Mooca/Aricanduva, Zona Leste da capital. Ele apresentou sintomas em 9 de setembro e morreu no dia 15.
Em nota, a Prefeitura de São Bernardo, por meio da Secretaria da Saúde, disse que atendeu um paciente no Hospital de Urgência, que morreu por suspeita de contaminação por metanol.
“Ainda são aguardados exames para confirmar a contaminação. Mais informações não serão repassadas em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)”, disse a pasta.
Nesta sexta-feira (26), o Ministério da Justiça e de Segurança Pública divulgou que a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos recebeu, por meio do Sistema de Alerta Rápido, “notificação que reporta nove casos de intoxicação por metanol no estado de São Paulo, num período de 25 dias, todos a partir da ingestão de bebida alcóolica adulterada”.
Ainda conforme o Ministério, os casos são “considerados fora do padrão para o curto período de tempo e também por desviar dos casos até hoje notificados de intoxicação por metanol” (leia a nota na íntegra abaixo).
O metanol (CH₃OH) é uma substância altamente inflamável, tóxica e de difícil identificação. O produto é um tipo de álcool simples, incolor e inflamável, com cheiro semelhante ao da bebida alcoólica comum.
Ele já foi chamado de “álcool da madeira”, porque antigamente era obtido pela destilação de toras. Hoje, sua produção industrial é feita principalmente a partir do gás natural.
Porém, embora seja usado em pequenas quantidades na natureza, podendo ser encontrado em frutas, vegetais e até produzido pelo corpo humano em baixíssimas doses, o metanol é altamente tóxico em concentrações elevadas.
O que diz a Secretaria Estadual da Saúde
“O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado de São Paulo informa que, desde junho deste ano, foram confirmados seis casos de intoxicação por metanol, dos quais dois resultaram em óbito – um em São Bernardo do Campo e outro na capital.
Atualmente, há dez casos sob investigação com suspeita de intoxicação por consumo de bebida contaminada, na capital.
O CVS está apoiando e monitorando o trabalho dos Municípios na fiscalização dos estabelecimentos de comércio de bebidas (distribuidoras, bares etc.) envolvidos na comercialização e distribuição dos produtos contaminados. O CVS reforça que o consumo de bebidas alcoólicas de origem clandestina ou sem procedência confiável representa risco à saúde, já que podem conter substâncias tóxicas.
A recomendação é que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos oferecidos, e que a população adquira apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, evitando opções de origem duvidosa e prevenindo casos de intoxicação que podem colocar a vida em risco”.
O que diz o governo federal?
“Nesta sexta-feira (26), a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad/MJSP) recebeu, por meio do Sistema de Alerta Rápido (SAR), notificação que reporta nove casos de intoxicação por metanol, no estado de São Paulo, num período de 25 dias, todos a partir da ingestão de bebida alcóolica adulterada.
O número de casos registrado, inicialmente, pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), de Campinas (SP), e encaminhado ao Comitê Técnico do SAR é considerado fora do padrão para o curto período de tempo e também por desviar dos casos até hoje notificados de intoxicação por metanol.
O Ciatox recebeu, nos últimos dois anos, casos de intoxicação por metanol a partir de consumo de combustíveis por ingestão deliberada em contextos de abuso de substâncias, frequentemente associada à população de rua. Contudo, de acordo com a notificação de hoje, a ingestão se deu em cenas sociais de consumo alcóolico, incluindo bares, e com diferentes tipos de bebida, como gin, whisky, vodka, entre outros. São registros inéditos no referido centro toxicológico. É possível haver outros casos não notificados, uma vez que nem todos os casos de intoxicação chegam aos órgãos de vigilância e controle.
A ingestão acidental ou intencional de metanol leva a intoxicações graves e potencialmente fatais. O cenário de adulteração é particularmente relevante do ponto de vista de saúde pública, pois episódios dessa natureza frequentemente resultam em surtos epidêmicos com múltiplos casos graves e elevada taxa de letalidade, afetando grupos populacionais vulneráveis e exigindo resposta rápida das autoridades sanitárias. Nesse sentido, requer alerta à população, considerando, inclusive, o início do fim de semana, quando há maior frequência a bares e consumo de bebidas alcóolicas.
SAR – O Sistema de Alerta Rápido sobre drogas do Brasil (SAR) é um subsistema do Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas – Sisnad, gerenciado pela Secretaria da Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), vinculado ao Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid)”.
Sintomas e atendimento
A recomendação do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo é que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos oferecidos.
Os sintomas podem incluir ataxia, sedação, desinibição, dor abdominal, náuseas, vômitos, cefaleia, taquicardia, convulsões e visão turva, principalmente após ingestão de bebidas de procedência desconhecida.
Em caso de suspeita, é fundamental buscar atendimento médico de emergência. A população pode localizar o serviço mais próximo pela plataforma.
