O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela (SNTP) anunciou neste sábado, 21, a libertação da jornalista Ana Carolina Guaita (foto), que estava detida desde 2 de agosto, no auge dos protestos contra a fraude eleitoral de Nicolás Maduro.

O  Colégio Nacional de Jornalistas (CNP) comemorou a libertação, mas fez questão de destacar que “Guaita nunca deveria ter sido presa”, já que, segundo a entidade, ela “não cometeu nenhum crime”

A organização também lembrou que, apesar da liberação de Guaita, ainda há 11 jornalistas detidos na Venezuela, a maioria deles após as eleições de julho.

No sábado, a ONG Comitê para a Liberdade dos Presos Políticos informou a soltura de 60 presos políticos no contexto pós-eleitoral, embora tenha levantado dúvidas sobre a precisão do número oficial divulgado pelo regime. 

A organização afirmou que, historicamente, houve discrepâncias no número de libertações anunciadas pelas autoridades venezuelanas.

No mesmo dia, o Ministério Público venezuelano anunciou a liberação de 200 pessoas, elevando o total de libertados para 733, após pedidos de revisão de casos judiciais. As solturas, porém, ocorreram paralelamente a novas detenções, incluindo quatro membros do partido Vente Venezuela, liderado por María Corina Machado, o ex-vereador de Caracas Jesús Armas, o prefeito de Cabimas, Nabil Maalouf, o ativista Luis Palocz e o líder camponês Carlos Azuaje.

Presos políticos na Venezuela

A ONG Foro Penal atualizou seu relatório, informando que atualmente há 1.877 presos políticos na Venezuela, a grande maioria detida após as eleições de julho. 

O partido Vente Venezuela, por sua vez, contabilizou 169 dirigentes e ativistas detidos, a maioria membros da Plataforma Democrática Unitária (PUD), que denuncia uma perseguição sistemática e exige a liberdade imediata dos presos.

Na quinta-feira, Nicolás Maduro negou que existam presos políticos no país e afirmou que os detidos são pessoas responsáveis por ataques, ameaças, agressões e até homicídios. 

28 de julho

A pressão internacional sobre Maduro ganhou força após os Estados Unidos e outros países reconhecerem o candidato oposicionista Edmundo González Urrutia como o presidente eleito.

Em novembro, a Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) encerrou o caso que contestava a fraude eleitoral do ditador.

Dois ex-candidatos presidenciais, Enrique Márquez e Antonio Ecarri, enviaram pedidos para que a Corte conferisse os números e abrisse os dados mesa por mesa.

A Sala Constitucional do TSJ, contudo, não divulgou os argumentos usados para validar o resultado oficial das eleições.

*Fonte: O ANTAGONISTA