São Paulo, 02 de outubro de 2025 – Coragem, colaboração e ação foram as palavras que marcaram a 14ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, na última quarta-feira, em São Paulo. O encontro, sob o tema “Esperançar”, reuniu presencialmente mais de 300 lideranças nacionais e internacionais, entre filantropos, investidores sociais, representantes de empresas e organizações da sociedade civil, além de mais de mil acompanhando a transmissão ao vivo para assistir aos debates sobre como transformar esperança em verbo de ação diante da policrise global.

Logo na abertura, o escritor Daniel Munduruku lembrou que o ato de ‘esperançar’ tem raízes ancestrais e se conecta à sabedoria de quem vive em equilíbrio com a natureza. “A natureza é completamente sistêmica e está sempre em conjunto. Todas as coisas acontecem ao mesmo tempo, com todos os seres. Não dá para entender uma árvore sozinha. Para ela ter vida plena, precisa de todos os outros elementos e outros seres, para que cresça e devolva tudo para a natureza. Ao mesmo tempo que ela recebe, ela dá. Ao mesmo tempo que ela cresce, outros seres crescem juntos. Ao observar a natureza, os indígenas construíram outro olhar do mundo: olhar o tempo de forma cíclica”, afirmou.

 No painel “Esperançar em tempos de mudanças climáticas”, especialistas como Alice Amorim (COP30), Patricia McIlreavy (Center for Disaster Philanthropy) e Viviana Santiago (Oxfam Brasil) reforçaram que a crise climática já está em curso e exige respostas urgentes. “Nas últimas 30 COPs, avançamos na regulação. Agora, precisamos avançar na implementação”, disse Alice Amorim. Já Patricia McIlreavy alertou: “A cada crise, vemos recursos escassos sendo cortados e comunidades vulneráveis pagando o preço. A filantropia precisa mudar a lógica: em vez de esperar o desastre, devemos apoiar as soluções que as próprias comunidades já têm para enfrentá-lo”.

A filantropia empresarial também esteve em pauta. Representantes da Fundação Bradesco, Sicredi, Fundación MAPFRE e L’Oréal discutiram como empresas podem “semear transformações” de longo prazo, enquanto líderes do Instituto Natura, Instituto Cyrela e Rockefeller Philanthropy Advisors abordaram a geração de valor na cadeia filantrópica.

Outros destaques foram o lançamento da websérie Transformando Territórios, o painel com os vencedores do Prêmio Empreendedor Social 2024 da Folha de S.Paulo, Jorge Júnior (Trampay), Simony César (Super NINA) e Valmir Ortega (Belterra Agroflorestas), moderados pela editora da Folha Social+, Eliane Trindade, e o painel sobre inovação tecnológica, que debateu os potenciais e riscos da inteligência artificial com Eduardo Saron (Fundação Itaú), Camila Valverde (Fundação ArcelorMittal), João Abreu (ImpulsoGov) e moderação de Pedro Rossi (Global Fund for a New Economy).

No painel “Humanidade: a origem da esperança”, o acadêmico David Kyuman Kim (Being Human) provocou os participantes a repensarem a essência da filantropia. “Filantropia significa amor pela humanidade — não dinheiro para a humanidade. Isso exige coragem, clareza e a capacidade de jogar luz sobre as experiências de quem sofre”, disse.

Encerrando o evento, a plenária “Interdependência e resiliência: o esperançar é coletivo” destacou que o futuro será construído a partir da ação conjunta de diferentes atores. Para Paula Fabiani, CEO do IDIS, que mediou o painel, “o Fórum mostrou que a filantropia não pode se limitar a financiar causas; ela deve ser um catalisador de mudanças, denunciando injustiças, construindo soluções e fortalecendo o protagonismo de quem está nos territórios”.

O 14º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais contou com o apoio master da Fundação Bradesco, Fundação Itaú, Fundação Sicredi e Movimento Bem Maior, além do apoio ouro da Fundação ArcelorMittal e da Fundación MAPFRE, apoio prata da Mott Foundation, e apoio bronze da Fundação Bracell, Fundação Grupo Volkswagen, Fundação José Luiz Setúbal e do Instituto Sicoob. O UNICEF foi apoiador institucional do evento que contou, ainda, com os parceiros de mídia da Revista Alliance e a Stanford Social Innovation Review Brazil.

Assessoria