Um enorme contingente de palestinos exaustos retornam para suas casas destruídas neste sábado (11/10), um dia após o cessar-fogo entre Israel e o grupo extremista Hamas entrar em vigor.
O porta-voz da defesa civil de Gaza, Mahmud Bassal, disse que cerca de 200 mil palestinos se deslocaram para o norte do território desde a tarde de sexta. Muitas famílias fazem a pé esse percurso, ao longo da estrada costeira com vista para as praias arenosas em direção à Cidade de Gaza, a maior área urbana do enclave e uma das mais atacadas por Israel, que alega tratar-se de um bastião do Hamas.
Até a manhã de sábado, não houve relatos de quebra do cessar-fogo. O acordo, firmado entre as duas partes com a interferência do presidente americano, Donald Trump, marca um passo importante para acabar com uma guerra devastadora de dois anos, desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, quando cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
Segundo as contas do Ministério da Saúde de Gaza, que não diferencia entre civis e combatentes, 67 mil palestinos foram mortos, metade deles mulheres e crianças. Cerca de 90% da população de Gaza, de cerca de 2 milhões de pessoas, precisou se deslocar.
A ampliação da ajuda humanitária é fundamental neste momento, afirma Tess Ingram, gerente de comunicações do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
“As pessoas me dizem: ‘casa é casa. Não importa se vou voltar para um monte de escombros ou para algo que ainda está de pé, quero voltar para onde nasci'”, disse ela à DW.
“É por isso que essa ampliação da resposta humanitária é tão importante. Se as pessoas estão voltando para a destruição que sabemos que existe, elas vão precisar de um apoio enorme. Vão precisar de água potável, vão precisar de abrigo.”
“O inverno está chegando, então os riscos são muito altos”, reforça. “Por isso, também estamos tentando trazer cobertores para as crianças, roupas de inverno e sapatos. É terrível ver tantas crianças andando descalças sobre os escombros.”
A libertação dos reféns que seguem mantidos em Gaza pelo Hamas pode acontecer entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira, no horário local, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto.
O momento da libertação ainda não está definido e pode mudar, mas esse cronograma garantiria que os reféns fossem libertados antes que o presidente dos EUA, Donald Trump, chegasse a Israel na segunda-feira (13).
O prazo de 72 horas para a libertação dos reféns é segunda-feira, ao meio-dia, horário local (6h, no horário de Brasília).
