Empreendedor e investidor internacional de educação, Vikas Pota, chairman do Education Leaders Forum, discute desafios da aprendizagem no século XXI em encontro promovido pela Inspira Rede de Educadores
Como preparar estudantes para um mundo impactado pela inteligência artificial, pelas rápidas transformações no mercado de trabalho e pela persistência das desigualdades sociais? Essas foram algumas das questões centrais debatidas durante um encontro promovido pela Inspira Rede de Educadores com a participação de Vikas Pota, chairman do Education Leaders Forum (ELF), comunidade global que reúne empresas de educação e conecta educadores de mais de 165 países. A Inspira é membro do ELF desde 2025 e, desde então, participou de encontros na Europa e no Oriente Médio para trazer ao Brasil o que há de mais inovador na educação básica global.
A conversa, que aconteceu na última semana, durante passagem de Pota pelo Brasil, reuniu gestores escolares e lideranças educacionais para discutir caminhos para a educação básica em escala global em um cenário de mudanças aceleradas. “A educação precisa assumir um papel cada vez mais central na construção de sociedades mais preparadas para lidar com os desafios contemporâneos. Seja qual for a pergunta, a educação é a resposta”, afirmou Pota durante o encontro.
| O uso da inteligência artificial na educação tem ganhado destaque no setor ao provocar reflexões sobre o papel da tecnologia no processo de ensino, a autonomia dos estudantes e os caminhos para garantir aprendizagens mais significativas. Para Pota, o avanço dessas ferramentas representa uma oportunidade relevante para transformar positivamente o trabalho dos professores. “Ferramentas de inteligência artificial podem contribuir para reduzir tarefas operacionais, permitindo que educadores dediquem mais tempo ao planejamento pedagógico e à interação com os alunos”, explicou. Por outro lado, o especialista ressaltou a importância de utilizar essas tecnologias de forma consciente, evitando que o processo de aprendizagem seja reduzido apenas à obtenção rápida de respostas. “Na educação, não buscamos apenas eficiência. Queremos fricção, porque é por meio desse processo que as crianças aprendem. Não se trata apenas da resposta perfeita, mas do caminho até ela. Preservar o esforço intelectual é essencial para o desenvolvimento do pensamento crítico, da criatividade e da capacidade de resolver problemas complexos”, disse. Educação como caminho para reduzir desigualdadesOutro ponto central da discussão foi o papel da educação na construção de sociedades mais justas. Em países marcados por desigualdades sociais profundas, como o Brasil, a escola pode desempenhar um papel decisivo na ampliação de oportunidades. Nesse contexto, Pota destacou que formar novas gerações capazes de compreender o mundo, produzir conhecimento e criar soluções é um compromisso que ultrapassa governos ou redes de ensino e se torna um projeto coletivo de sociedade. “Promover o acesso ao conhecimento e ampliar oportunidades educacionais são fatores fundamentais para o fortalecimento social e econômico. Quando ensinamos a importância do conhecimento e criamos oportunidades para os estudantes, não estamos apenas educando indivíduos, mas também fortalecendo a sociedade”, afirmou. Colaboração entre educadores como motor da evolução educacional Por fim, entre os fatores observados em escolas de alto desempenho ao redor do mundo, Pota destacou que esses ambientes não se definem apenas por resultados acadêmicos, mas também pela construção de uma cultura sólida de aprendizagem, baseada na colaboração entre educadores e na troca constante de boas práticas. Para André Aguiar, CEO da Inspira Rede de Educadores, o avanço da educação no Brasil passa impreterivelmente pelo fortalecimento do diálogo e pela construção de comunidades profissionais mais conectadas. “Boas práticas não surgem de forma isolada. Elas se consolidam quando existe uma comunidade educacional forte, que compartilha experiências, discute desafios e aprende de forma contínua”. |
