Operações revelam contrabando, manipulação irregular e riscos graves à saúde em meio à explosão da procura por medicamentos para emagrecimento.

A crescente popularidade das chamadas “canetas emagrecedoras” levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Polícia Federal e o Ministério da Saúde a intensificar o monitoramento e a repressão ao mercado irregular desses produtos. Em abril, a Operação Heavy Pen foi deflagrada em 12 estados e resultou na apreensão de insumos suficientes para a produção de mais de um milhão de dispositivos, além de movimentações financeiras suspeitas que somam R$ 4,8 milhões. Entre os materiais encontrados estavam tirzepatida — princípio ativo de medicamentos aprovados para diabetes e obesidade — e retatrutida, substância experimental sem registro em nenhuma agência reguladora do mundo.

As investigações apontam para um esquema de contrabando e manipulação clandestina, com empresas fabricando e distribuindo medicamentos sem autorização da Anvisa. Em maio, a agência interditou uma fábrica no Tocantins que produzia tirzepatida sem qualquer controle de qualidade, colocando em risco milhares de consumidores. Além disso, marcas como Gluconex e Tirzedral, vendidas pela internet sem registro, foram proibidas de circular no país.

O Ministério da Saúde alerta que produtos sem registro oficial não oferecem garantias de composição, pureza ou eficácia, e podem estar contaminados por bactérias e fungos. Entre 2018 e 2026, quase três mil notificações de efeitos adversos relacionados ao uso irregular de medicamentos da classe GLP‑1 foram registradas.

Apesar do cenário preocupante, há avanços no campo regulado. Em maio, a Anvisa aprovou o Ozivy, primeira caneta de semaglutida sintética produzida no Brasil pela EMS, indicada para o tratamento de diabetes tipo 2. Outros cinco medicamentos sintéticos e um biológico estão em análise pela agência, o que pode ampliar as opções seguras para pacientes.

Enquanto isso, autoridades reforçam o alerta: consumidores devem evitar compras pela internet ou em mercados paralelos e sempre verificar se o produto possui registro oficial. O combate às “canetas emagrecedoras” ilegais se tornou prioridade, não apenas para proteger a saúde pública, mas também para frear um mercado clandestino que cresce à sombra da busca por soluções rápidas para o emagrecimento.