Muitos estudantes associam a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) apenas ao ingresso em universidades brasileiras por meio de programas como SISU, Prouni e Fies. O que nem todos sabem é que o desempenho no exame também pode abrir portas para instituições de ensino superior em diversos países, tornando-se uma alternativa válida para quem deseja construir uma trajetória acadêmica internacional.
 Segundo Paulo Roberto Correia de Andrade, Coordenador do Programa Bilíngue do Colégio Amadeus, escola da Inspira Rede de Educadores, o interesse de estudantes brasileiros por experiências acadêmicas no exterior tem crescido nos últimos anos, impulsionado pela ampliação das possibilidades de ingresso e pela busca das famílias por uma formação com perspectiva global.
 “O reconhecimento do ENEM por universidades estrangeiras também vem crescendo. Portugal foi pioneiro nesse movimento e mantém acordos consolidados com o Instituto Inep, mas algumas universidades de outros destinos, como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França e Irlanda, também passaram a considerar o exame em seus processos seletivos, de acordo com critérios próprios”, destaca o educador.
 Para os estudantes interessados em utilizar a nota do ENEM em processos seletivos internacionais, alguns requisitos costumam ser recorrentes. Confira, abaixo, os principais pontos para se atentar caso seu filho tenha o sonho de estudar fora:
 1. Verifique se a universidade aceita o ENEMCada instituição possui regras próprias. Em Portugal, diversas universidades utilizam a nota do exame brasileiro como critério de admissão. Já em outros países, o ENEM pode ser considerado como parte do processo seletivo, combinado a outros documentos e avaliações. Por isso, a primeira etapa é pesquisar diretamente nos sites oficiais das universidades e compreender quais são os critérios exigidos.
 2. Organize a documentação acadêmicaAlém da nota do ENEM, normalmente são exigidos documentos como histórico escolar completo, certificado de conclusão do Ensino Médio, cartas de recomendação, currículo acadêmico e formulários específicos de candidatura. A recomendação é reunir toda a documentação com antecedência, evitando contratempos próximos aos prazos de inscrição. Dependendo da instituição, também pode ser necessário apresentar atividades extracurriculares, projetos voluntários ou participação em olimpíadas e competições acadêmicas.
 3. Comprove proficiência no idiomaUm dos principais equívocos é acreditar que o inglês aprendido para provas nacionais é suficiente para estudar no exterior. Na maioria dos casos, as universidades exigem certificações reconhecidas internacionalmente, como os exames de Cambridge, IELTS ou TOEFL. “Após a aprovação em uma universidade internacional a fluência será fundamental para acompanhar aulas, desenvolver pesquisas. Interagir em um ambiente acadêmico internacional vai muito além da leitura instrumental. Por isso, a preparação linguística precisa ser contínua e consistente ao longo da formação escolar”, destaca Paulo Roberto.
 4. Fique atento aos prazosOs calendários de candidatura variam de acordo com cada país e universidade. Quanto mais cedo o aluno começa a se preparar, maiores são as suas chances de aprovação. É importante considerar os prazos para obtenção de documentos, realização de exames de proficiência, processo de aplicação, solicitação de visto e busca por moradia estudantil. Um planejamento adequado evita correria e amplia as chances de sucesso em cada etapa.
 Preparação começa antes do vestibular
 Segundo Paulo, o planejamento para experiências acadêmicas internacionais idealmente deve fazer parte das discussões sobre futuro profissional ainda durante os anos finais do Ensino Fundamental.
 “A orientação vocacional não deve se limitar à escolha de uma profissão. Ela também precisa ajudar o estudante a compreender quais caminhos acadêmicos existem para alcançar seus objetivos. Quando a internacionalização é apresentada desde cedo, o aluno consegue tomar decisões mais conscientes e construir uma trajetória alinhada aos seus sonhos”, afirma o educador.
 Nesse contexto, a oferta de programas de counselling voltados à preparação para o ingresso em universidades internacionais, aliada à currículos internacionais, programas bilíngues, certificações reconhecidas globalmente e oportunidades de vivências multiculturais, contribui de forma decisiva para a ampliação do repertório dos estudantes e para sua preparação diante de processos seletivos cada vez mais globalizados. A exposição contínua a diferentes idiomas, culturas e experiências acadêmicas ao longo da educação básica não apenas expande o repertório do aluno, mas também favorece a construção de um projeto de vida mais consistente, com perspectivas verdadeiramente globais.