As doenças alérgicas atingem entre 30% e 40% da população mundial e já são consideradas um desafio crescente de saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que cerca de 30% da população tenha rinite alérgica e 10%, asma — quadros que tendem a se agravar nos centros urbanos, impulsionados pela poluição e pelo estilo de vida. Nesse sentido, o Dia Mundial da Alergia (8/7) alerta para a importância de um tratamento que investiga os gatilhos e ultrapassa o alívio dos sintomas.

“O subdiagnóstico ainda é um problema importante. Muitos pacientes convivem por anos com sintomas recorrentes, como coceira, tosse, dermatite e desconfortos gastrointestinais, sem chegar à causa real”, afirma Leonardo Abreu, médico de família e comunidade e coordenador técnico da Amparo Saúde, empresa de Atenção Primária à Saúde do Grupo Sabin. Segundo ele, isso leva ao uso frequente de medicações que aliviam momentaneamente os sintomas, mas não resolvem o problema de base.

Avanços diagnósticos

Atualmente, a medicina diagnóstica dispõe de exames de alta precisão para identificar os agentes causadores das alergias. A IgE específica é um teste laboratorial que verifica a presença de anticorpos IgE específicos, como determinadas proteínas, frutas ou grãos, por exemplo. Além disso, os painéis de alérgenos avaliam 112 componentes alergênicos, e o diagnóstico molecular por componentes (CRD) é capaz de identificar qual molécula (proteína) causa a alergia e diferenciar alergias verdadeiras de reações cruzadas.

“Esses exames ajudam a sair do campo da suspeita e trazer mais objetividade para o diagnóstico”, explica o médico. Feitos a partir de uma coleta de sangue, os testes permitem mapear a quais substâncias o paciente está sensibilizado, como ácaros, pólens, alimentos ou pelos de animais.

Tratamento personalizado

Uma vez identificado com precisão o gatilho das alergias, o médico pode definir a conduta terapêutica mais adequada para cada paciente. Além do controle dos sintomas, o tratamento passa a incluir medidas de prevenção direcionadas, como ajustes ambientais, orientação alimentar e, em alguns casos, imunoterapia. “Com o diagnóstico preciso, conseguimos individualizar a conduta, atuando não apenas no alívio dos sintomas, mas também na prevenção de novas crises”, destaca Abreu.

Com isso, é possível reduzir crises, evitar uso contínuo de medicamentos e melhorar a qualidade de vida, especialmente nos casos crônicos. “A pessoa passa a entender melhor o próprio quadro e ganha mais previsibilidade no dia a dia, o que faz bastante diferença, principalmente nos casos crônicos”, complementa o médico.