Um bando liderado por um adolescente de 14 anos, morador de Curitiba, outro de 17 anos, de Bady Bassitt (SP) e outro rapaz de 18 anos, de São Paulo, comercializava mais de 20 milhões de logins e senhas da Justiça e das principais polícias brasileiras.

O morador de Jaciara (144 km de Cuiabá) acusado de participar da quadrilha , qual a função do mato-grossense, de 23 anos, no esquema não foi revelada.

A investigação, divulgada pelo Fantástico nesse domingo (24) mostra que no momento da detenção, o adolescente de 17 anos estava logado no sistema da Polícia Civil de São Paulo e do próprio computador conseguiu alimentar o sistema com um boletim de ocorrência contendo informações falsas.

O rapaz, de 18 anos, fez alterações no sistema para que não aparecesse sua ficha criminal. “Ele tinha entrado no sistema e tinha se declarado morto. Deixar que o nome não constasse numa futura pesquisa”, revelou o delegado Antônio Honório do Nascimento.

Já o adolescente de 14 anos, segundo a polícia, é apontado como líder do grupo. Em depoimento, ele afirmou que foi responsável pela criação do programa de computador que permite acesso a qualquer site privado ou público.

Ele tinha 20 milhões de logins e senhas. A quadrilha possuía acesso aos sites das polícias de vários estados, assim como a Polícia Federal, do Exército e Justiça. 

“Esse adolescente afirmou que acessou por curiosidade. Os outros investigados acessavam ou compartilhavam logins e senhas para fins financeiros, pelo preço de R$ 200 até R$ 1.000”, explica ao Fantástico o delegado Adriano Pitoscia.

Para chegar até o adolescente de 14 anos apontado com o líder da quadrilha, a polícia iniciou a investigação pela conexão dos jovens e descobriu que todos se conheceram em comunidades de jogos no Discord, um aplicativo de mensagens popular entre os jovens.

Ele tinha 20 milhões de logins e senhas. A quadrilha possuía acesso aos sites das polícias de vários estados, Polícia Federal, do Exército e Justiça:

💻🔑 Mais de 3.600 logins e senhas do Tribunal de Justiça de São Paulo
💻🔑 1.500 da Polícia Militar de São Paulo
💻🔑 500 da Polícia Federal
💻🔑 Quase 150 do Exército
💻🔑 89 do Ministério Público de São Paulo

“O Estatuto da Criança e do Adolescente determina que os pais devem vigiar a conduta dos filhos e, havendo negligência, uma das penas previstas é de multa que vai de 3 a 20 salários mínimos”, esclarece Evandro Pelarin, juiz de direito da Infância e Juventude.