Para a Macroinfra, o tratado funciona como um teste de estresse para o sistema, que, sem investimentos robustos em portos, rodovias e ferrovias, pode transformar a oportunidade em congestionamento. “O risco é ver o ganho competitivo conquistado nas negociações se perder nos atrasos e custos adicionais”, alerta Olivier Girard, sócio-diretor da Macroinfra.
A previsão de um aumento substancial no fluxo de mercadorias — com o Brasil enviando mais commodities e recebendo bens industrializados — coloca uma pergunta. A infraestrutura do país está preparada para essa nova realidade ou veremos os ganhos do acordo se perderem nos gargalos dos portos e das estradas e ferrovias?
Um estudo realizado pela Macroinfra, mostra um panorama sobre os desafios da logística brasileira no agronegócio, quando o assunto é o transporte de produtos em granéis. Entre os principais apontamentos do trabalho, estão as análises que mostram que o Brasil deve passar a exportar 58,8 milhões de toneladas adicionais de granéis agrícolas nos próximos 10 anos, o que gerará sérias implicações nas necessidades de investir na infraestrutura de transporte e logística.
“O país está cada vez mais exportando, em um cenário de crescimento incessante, seja por ferrovias, hidrovias, rodovias e portos. Mas, ao mesmo tempo, a velocidade de investimento nos projetos existentes de novos corredores logísticos não está acompanhando a dinâmica do crescimento de produção e exportação do setor, ressalta, Olivier Girard, sócio-diretor da Macroinfra.
“De fato, a demanda de exportação de granéis agrícolas do Brasil atingirá a capacidade atual dos principais portos exportadores até 2028 sendo que a demanda já ultrapassou o limite de segurança operacional de 85% da capacidade. Já existe uma série de projetos em desenvolvimento tanto portuários como ferroviários, porém muitos ainda estão na fase embrionária e precisam ser acelerados para terem mais chances de sair do papel e se tornarem realidade até 2033”, explica Girard.
Os impactos do acordo União Europeia e Mercosul serão sentidos primeiro nos pontos já sensíveis. Os portos, especialmente os do Sudeste e os estratégicos do Arco Norte, sentirão a pressão imediata de um volume crescente de contêineres e granéis. As rodovias e ferrovias que servem a esses terminais, muitas vezes já operando no limite, poderão enfrentar congestionamentos crônicos, elevando custos e prazos. Especialistas da Macroinfra alertam que, sem investimentos, o famoso “Custo Brasil” logístico pode consumir a vantagem competitiva conquistada nas mesas de negociação.
