Medida do Ministério da Saúde entra em vigor em agosto e busca aumentar a proteção infantil

Mesmo sem registrar casos de poliomielite há mais de três décadas, a cobertura vacinal contra a doença ainda está abaixo da meta de 95% em 2026. Para ampliar a proteção da população infantil, o Brasil passará a adotar, a partir de agosto, uma segunda dose de reforço contra a pólio para crianças de 4 anos. A medida, anunciada pelo Ministério da Saúde, tem caráter preventivo e busca manter o país livre da circulação do poliovírus e evitar o retorno da doença considerada eliminada no território nacional.

A poliomielite é uma doença infecciosa causada pelo poliovírus, que se multiplica no intestino e é transmitida principalmente pelo contato com fezes contaminadas. Na maioria dos casos, a infecção é leve ou até assintomática. No entanto, em situações mais graves, o vírus pode atingir o sistema nervoso e provocar paralisias musculares, principalmente nos membros. “Também pode comprometer os músculos respiratórios, causando insuficiência respiratória e, em alguns casos, levando à morte”, explica a infectologista pediátrica do Sabin, Sylvia Freire. Segundo ela, entre os pacientes que desenvolvem a forma paralítica, cerca de dois terços apresentam algum grau de paralisia residual com prejuízo funcional.

A médica destaca a dificuldade em atingir as metas de cobertura vacinal pode ter relação com a redução da percepção do risco e a influência da desinformação sobre a segurança das vacinas, além de disparidades regionais e dificuldades de acesso aos serviços de vacinação em determinadas localidades.

“Deixar de vacinar as crianças é um risco, porque o vírus da poliomielite continua circulando em alguns países. O que mantém a doença sob controle é justamente a vacinação. Quando as coberturas vacinais caem, aumenta o risco de reintrodução do vírus, de surtos e de uma população mais vulnerável ao adoecimento e à transmissão da doença”, ressalta.

As novas diretrizes estabelecem um esquema vacinal composto por três doses iniciais, seguidas de dois reforços, aplicados aos 15 meses e aos 4 anos de idade. Em nota técnica, o Ministério da Saúde também reforça a utilização exclusiva da Vacina Inativada Poliomielite (VIP), adotada no país desde 2024 por apresentar maior segurança no processo de imunização da doença, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

Na rede privada, o Sabin oferece a vacina dTpa+VIP, que combina a proteção da tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (difteria, tétano e coqueluche) com a vacina inativada contra a poliomielite, oferecendo imunização contra quatro doenças potencialmente graves em uma única aplicação. Indicada para crianças a partir de 4 anos, adolescentes, adultos, idosos e viajantes com destino a regiões onde ainda há circulação do poliovírus, pode também ser utilizada como dose de reforço em diferentes esquemas vacinais. ”Além disso, também oferecemos as vacinas pentavalente e hexavalente acelular como parte de esquemas primários e eventualmente como reforços em crianças menores de 7 anos”, completa Sylvia.