Cuiabá (MT) – Mato Grosso desponta como um dos estados brasileiros mais afetados pelo avanço das temperaturas nas últimas décadas. Segundo dados do MapBiomas Atmosfera, o estado ocupa a segunda posição no ranking nacional de aquecimento, com média de 0,35 °C por década, acima da média nacional de 0,29 °C.
Em 2025, o calor atingiu níveis recordes: cidades como Cuiabá e Rondonópolis registraram temperaturas superiores a 40 °C, levando o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) a emitir alertas de onda de calor extremo. O aumento foi de 1,8 °C em relação a 2024, consolidando Mato Grosso como um dos epicentros da crise climática no país.
Impactos acumulados
- Quatro décadas de aquecimento: O estado já aqueceu quase 1,5 °C desde os anos 1980.
- Pantanal em risco: O bioma, que se estende por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, lidera o ranking nacional, com aumento médio de 0,47 °C por década.
- Agricultura pressionada: Maior evapotranspiração ameaça safras de soja e milho, pilares da economia estadual.
- Saúde pública: Hospitais registram aumento de casos de insolação, desidratação e doenças respiratórias.
Plano de Contingência para Ondas de Calor
Diante da emergência climática, o governo estadual aprovou em 2025 a Lei nº 13.020, que institui o Plano de Contingência para Ondas de Calor.
O plano prevê:
- Ações imediatas quando a temperatura ultrapassa 40 °C.
- Protocolos de atendimento em hospitais e escolas.
- Campanhas de conscientização sobre hidratação e cuidados com grupos vulneráveis.
- Incentivo a medidas urbanas como arborização, telhados frios e pavimentos refletivos.
Além do plano emergencial, especialistas apontam caminhos para reduzir os impactos do calor:
- Urbanismo verde: Expansão de áreas arborizadas e corredores ecológicos.
- Agricultura resiliente: Variedades adaptadas à seca e irrigação eficiente.
- Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF): Modelo que aumenta a produtividade e reduz emissões.
- Infraestrutura hídrica urbana: Instalação de fontes e pontos de água potável em espaços públicos.
Projeções indicam que, até 2030, cidades como Cuiabá poderão enfrentar aumentos ainda mais significativos de temperatura. Sem políticas robustas de mitigação e adaptação, Mato Grosso continuará figurando entre os estados mais críticos em termos de aquecimento global.
