A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizou uma consulta pública sobre os cigarros eletrônicos no Brasil, entre dezembro de 2023 e fevereiro deste ano. A população podia opinar sobre alterações na lei que atualmente está em vigor e proíbe a venda de vapes no país, sugerindo mudanças para torná-la ou mais branda ou ainda mais restritiva.
Entre as 13.930 participações, 37% (5.215 pessoas) foram favoráveis à proibição, enquanto 59% (8.197) tiveram posicionamento a favor dos cigarros eletrônicos, incluindo manifestações pedindo sua liberação geral.
Os dados também apontam que a maior parte dos profissionais de saúde (61% deles) fizeram contribuições pedindo que a proibição fosse mantida. Esse foi o único grupo, além do poder público, no qual a maioria é favorável à manutenção da norma que restringe os cigarros eletrônicos.
Até entre pesquisadores, 52% foram a favor das mudanças. No grupo que inclui agentes interessados (produtores e distribuidores), 41% pediram a manutenção da norma – esse também foi o setor com mais abstenções. Os resultados ainda serão analisados pelos diretores da Agência.
Por que o vape é proibido?
Desde 2009, a agência proibiu qualquer tipo de comercialização, importação e propaganda dos dispositivos eletrônicos de fumar (DEFs), ainda que eles sejam bastante comuns no país.
A justificativa para a proibição era a ausência de pesquisas científicas sobre os impactos do consumo. Desde então, várias delas foram publicadas, a maioria mostrando potenciais efeitos negativos e até a formação de células de potencial cancerígeno.
Indústrias querem mudanças
A indústria do tabaco fez propaganda pedindo que os consumidores solicitassem a liberação da Anvisa e incentivando as pessoas físicas a se inscreverem na plataforma de contribuições públicas. Fabricantes como a Philip Morris alegam que seria possível produzir os cigarros eletrônicos com maior segurança se sua venda fosse fiscalizada em vez de proibida.
A empresa já manifestou interesse em criar uma fábrica de vapes no Rio Grande do Sul se a Anvisa aprovar a regulação dos DEFs no país.
A agência esclarece que a consulta pública não é um instrumento opinativo ou de votação, mas uma oportunidade para aprimoramento do texto proposto. As contribuições serão analisadas individualmente e podem ser incorporadas à proposta de norma em elaboração, que então será votada pela diretoria colegiada. O órgão não tem prazo para se posicionar.
“Não se trata de saber qual opinião é mais ou menos frequente, mas de saber onde há mais substrato para a tomada de decisão. O órgão que faz a consulta busca que diferentes opiniões aflorem juntamente com suas respectivas justificativas”, explica o sanitarista Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo). Pessoalmente, o médico defende que a proibição dos DEFs seja mantida
*Redação com Metrópoles
