Para Leandro Rosadas, especialista em gestão de supermercados, o movimento é um reflexo do orçamento enxuto das famílias brasileiras

Itens estratégicos, budget inflexível e necessidade de economizar mais. Esses são apenas alguns dos fatores para que o consumo calculado seja adotado pelos brasileiros, de acordo com a pesquisa realizada pela Neogrid em parceria com o Opinion Box. A tendência que promete marcar o varejo alimentar ao longo de 2026, deve enfrentar um cenário com uma alta volatilidade de preços devido ao calendário com feriados prolongados, Copa do Mundo e eleições. Para Leandro Rosadas, especialista em gestão de supermercados, os consumidores devem fazer uma pesquisa de preços e produtos ainda maior nos próximos meses.

“As últimas análises em relação aos hábitos de compras dos consumidores no varejo alimentar apresentam um comportamento mais criterioso. Se antes o público montava o seu carrinho com itens escolhidos por espontaneidade, agora os produtos são colocados na lista de compras através de uma análise estratégica. A comparação de preços é um dos principais fatores, pensando nisso, a busca por itens que condizem com a realidade e a rotina do público passam a ser cada vez maiores”, explica Leandro.

Não à toa, ainda de acordo com a análise feita pela Neogrid, o consumidor brasileiro deve seguir uma postura mais estrategista neste ano. Apesar de 76% do público pretender cortar custos e economizar mais, 71% afirmam ter uma sensibilidade maior em relação aos preços, dessa forma, o movimento aponta uma espécie de redesenho de prioridades.

“A partir dessa nova tendência, os carrinhos que antes eram considerados como automáticos, já que não seguiam uma estratégia e era construído com uma certa espontaneidade, agora se torna um carrinho muito bem pensado e planejado. Apesar do preço baixo ser um grande foco entre os consumidores, eles buscam também combinar o orçamento enxuto com conveniência e confiança na marca de itens, principalmente os de limpeza”, Rosadas afirma.

Prova disso, está a as estratégias de defesa também apontadas pelos insights da Neogrid, isso porque 69% dos consumidores brasileiros pretendem reduzir compras por impulso, enquanto 55% devem focar em promoções, já 53% buscarão lojas mais baratas. Em contrapartida, segundo Leandro, o setor de varejo alimentar deve se deparar com uma sequência de picos de demanda motivadas por feriados, e principalmente pela Copa do Mundo.

“Muitos varejistas se mostram preocupados com o movimento de consumo calculado, já que as compras impulsivas, em muitos casos, se refletiam em itens com alto valor, como bebidas alcoólicas, carnes nobres e guloseimas. Porém, estamos nos aproximando da Copa do Mundo, que é considerada como uma festa, a competição motiva a sociabilidade, o senso de celebração, favorecendo as compras de produtos de conveniência entre os consumidores”, explica o especialista.

Leandro prevê o movimento de cautela após o campeonato mundial, isso porque ele antecede as eleições, um período em que brasileiros devem ativar novamente o consumo mais consciente. As votações impactam diretamente nas decisões de compras, os itens passam a serem avaliados como um gatilho de instabilidade econômica, podendo levar ao adiamento de compras maiores e foco total no essencial.

Sobre Leandro Rosadas (@leandrorosadas):
Leandro Rosadas é economista, escritor e especialista em gestão de supermercados, hortifrutis, atacarejos, padarias e açougues. Formado em economia pela UFRRJ, o carioca já atuou como professor universitário e consultor no mercado de varejo. Hoje, Rosadas é considerado uma das maiores referências entre os especialistas do seu segmento, sendo responsável pela formação em gestão de mais de 13 mil proprietários de supermercados Brasil afora. O especialista também é autor de 14 livros, entre eles “Luuuucro” e “Dobre o lucro do seu supermercado”.