Nesta terça-feira (24), o cacique mato-grossense Arnaldo Tserewoe esteve na CPI das ONGs e criticou a atuação de ONGs (Organizações Não Governamentais) em aldeias indígenas.

Convidados por requerimento do senador Mauro Carvalho Junior (União-MT), Graciano Aedzane Pronhopa e Arlnaldo Tsererowe também defenderam a derrubada dos vetos presidenciais na Lei 14.701, de 2023, do marco temporal das terras indígenas. Para eles, deveriam ser permitidos contratos entre não indígenas e indígenas para exploração econômica de suas terras.

“As ONGs que vem dizer que estão levando benefícios para nossas aldeias é tudo mentira. A gente sente ver a nossa comunidade passando dificuldade, nossas crianças, aonde estão aplicando essas verbas? Porque não existem!. Não existe responsabilidade fiscal destas ONGs para aplicar estes recursos em prol da sociedade indigena brasileira”

Cacique Arnaldo Tserewoe

“Nós estamos vindo aqui buscar apoio e dizer a comissão que busque o apoio para as aldeias. É muito fácil buscar o entendimento com a nossa Fundação Nacional do índio (FUNAI) para ver como nosso povo sobrevive. É muito triste. É um apelo que faço aos senhores. Ajudem aos povos indígenas deste país. O que mais se fala é que não tem orçamento. É muito difícil para nosso povo.”

Os caciques Graziano Aedzane Pronhopa e Arnaldo Tsererowe estiveram no Senado para prestar depoimento aos senadores e esclarecer a realidade dos indígenas em Mato Grosso. Ambos compareceram a convite do senador Mauro Carvalho (União Brasil), que elogiou a capacidade de organização e trabalho dos indígenas. “Sem apoio de ONGs ou terceiros, estão conseguindo produzir milho e algodão com muita eficiência numa área de 20 hectares”, declarou o senador mato-grossense.

“Muitos indígenas tem apoio do Estado de Mato Grosso para produzir e trabalhar. Muitas ONGs fazem discurso mas não desenvolvem ações. Atraem indígenas para protestos em Brasília, mas efetivamente não estão auxiliando indígenas”.

Arlnaldo Tsererowe, também cacique xavante, da terra indígena Parabubure no município de Campinópoles (MT), apontou dificuldade para ter acesso a representantes da Funai em Brasília. Segundo ele, todos os governos posteriores ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (de 1995 a 2003) tiveram esse problema.

O senador Márcio Bittar (União Brasil-AC) declarou que, em sua avaliação, o Brasil deve avaliar o que fazer com terras já pertencentes aos indígenas, ao invés de discutir expansão de propriedades. “O indígena tem terras valiosas mas é proibido de explorar o solo e subsolo, de explorar plantação de grãos e a mineração. Os indíos não querem fome, miséria e pobreza. Querem produzir para garantirem seu próprio sustento”, declarou.

Graciano defendeu que o governo federal dê liberdade para os indígenas desenvolverem em seus territórios “para terem bem estar e uma vida digna acompanhada do desenvolvimento, sem deixar as tradições, cultura e modo de viver, preservando nossas vidas. É preciso investigar todas as ONGs que recebem dinheiro do governo federal, que manipulam líderes e caciques usando como peça de manobra”, pontuou o líder indígena.

Os parlamentares que integram a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga a atuação de ONGs (Organizações Não Governamentais) na Amazônia estarão em Mato Grosso na sexta-feira (26) para acompanhar o trabalho dos indígenas do Haliti-Paresi em Chapada dos Parecis, localizado em Campo Novo dos Parecis (401 km de Cuiabá).

*Fonte: Portal Senado