Automedicação, interrupção do tratamento antes do prazo e descarte incorreto estão entre os hábitos que podem favorecer a resistência microbiana

São Paulo, 06 de maio de 2026 – Na semana em que foi celebrado o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, em 5 de maio, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça a importância do uso consciente desses como parte da segurança do paciente, da qualidade do cuidado e da responsabilidade ambiental.

O tema segue como um desafio de saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais da metade dos medicamentos no mundo é prescrita, dispensada ou vendida de forma inadequada, e metade dos pacientes não os utiliza corretamente¹. No Brasil, o uso racional pressupõe que o paciente receba o tratamento adequado, na dose certa e pelo tempo necessário².

Mais do que evitar a automedicação, o uso racional envolve seguir corretamente a prescrição, respeitar horários e doses, não compartilhar medicamentos, não reaproveitar sobras de tratamentos anteriores e buscar orientação profissional sempre que houver dúvida.

Uso inadequado de antibióticos favorece resistência microbiana

Entre os principais pontos de atenção está o uso inadequado de antibióticos. Essenciais no tratamento de infecções bacterianas, esses medicamentos não devem ser utilizados sem orientação profissional, em doses erradas ou por período diferente do prescrito. Esse tipo de uso favorece a resistência aos antimicrobianos, hoje uma das principais preocupações da saúde global³.

“Temos legislação para controlar a venda e diretrizes nacionais para otimizar o uso de antibióticos porque o problema não é apenas individual. O uso inadequado impacta o tratamento do próprio paciente e contribui para a disseminação da resistência microbiana, que hoje é uma preocupação crescente em todo o mundo”, afirma Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde em 2025 mostram que, em 2023, uma em cada seis infecções bacterianas confirmadas em laboratório no mundo foi resistente a antibióticos⁴. Esse cenário dificulta o tratamento, aumenta o risco de complicações e pode comprometer procedimentos e terapias complexas, como cirurgias, transplantes e quimioterapias.

A resistência bacteriana, no entanto, não é apenas uma preocupação futura. Um estudo publicado em 2022 estimou que 4,95 milhões de mortes no mundo estiveram associadas à resistência bacteriana em 2019, das quais 1,27 milhão foram diretamente atribuíveis a esse problema⁵. Para o Dr. Piastrelli, esse dado ajuda a dimensionar a urgência do tema. “Quando falamos em resistência bacteriana, muitas vezes pensamos em projeções para as próximas décadas, mas o impacto já está acontecendo. O uso inadequado de antibióticos hoje contribui para um problema que é individual, coletivo e global”, afirma.

Orientação profissional reduz riscos no uso de medicamentos

Além dos antibióticos, o uso racional de medicamentos depende de informação clara em todas as etapas do tratamento. A orientação médica e farmacêutica é essencial para garantir que o paciente compreenda como usar o medicamento, por quanto tempo, em quais horários, como armazená-lo e quais cuidados deve observar durante o tratamento.

“A orientação adequada faz diferença em todas as etapas. O médico define a melhor conduta terapêutica, e o farmacêutico tem papel essencial ao orientar sobre forma de uso, armazenamento, interações e descarte. O uso racional começa na prescrição, mas depende também de informação clara para o paciente”, destaca Alessandra Pineda do Amaral Gurgel, gerente de Assistência Farmacêutica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Segundo a especialista, dúvidas aparentemente simples podem interferir na eficácia e na segurança do tratamento. O uso de medicamentos com bebidas alcoólicas, a administração em horários incorretos, a interrupção antes do prazo indicado ou o armazenamento em locais inadequados, por exemplo, podem comprometer os resultados esperados e aumentar o risco de eventos adversos.

Descarte correto também faz parte do uso racional

O cuidado com os medicamentos não termina quando o tratamento acaba. Sobras, produtos vencidos ou medicamentos que não serão mais utilizados devem ser descartados de forma adequada. Jogar esses itens no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário pode representar risco para crianças, animais domésticos e para o meio ambiente⁶.

Além dos riscos clínicos, o uso inadequado de medicamentos também tem impacto ambiental. O consumo sem necessidade, a interrupção de tratamentos antes do prazo indicado e o armazenamento de sobras em casa aumentam a chance de vencimento e descarte incorreto.

No caso dos antibióticos, o uso racional também passa pela escolha da via de administração mais adequada. Segundo Piastrelli, ainda existe, entre profissionais de saúde e pacientes, a percepção de que o antibiótico intravenoso seria sempre mais “forte” ou mais eficaz. No entanto, em muitas situações clínicas, quando o paciente apresenta melhora e tem condições de absorver o medicamento por via oral, a troca do antibiótico venoso para o oral pode ser segura e benéfica.

“Para a maior parte das situações, não existe evidência de que o antibiótico na veia seja melhor do que o antibiótico oral. Quando bem indicada, essa troca pode estar associada a menos eventos adversos, menor tempo de hospitalização e também a um menor volume de materiais utilizados na administração intravenosa, o que reduz impactos relacionados ao descarte”, explica o infectologista.

“Quem usa medicamentos de forma mais consciente também contribui para reduzir desperdícios e evitar descartes inadequados. O cuidado começa na prescrição e no uso correto, mas termina apenas quando o medicamento é armazenado e descartado de maneira segura”, afirma Alessandra.

A orientação é que medicamentos vencidos, sobras de tratamentos e embalagens em contato direto com o produto sejam encaminhados a pontos de coleta apropriados, disponíveis em farmácias, drogarias e serviços de saúde participantes. No caso dos antimicrobianos, esse cuidado é ainda mais importante pelo potencial impacto na resistência bacteriana⁶.

No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a gestão adequada de resíduos também integra a agenda de segurança e sustentabilidade. Em março de 2026, a instituição registrou o menor percentual de destinação de resíduos para aterro sanitário, atingindo a meta estabelecida, com 63,1% dos resíduos gerados destinados a essa finalidade.

Também houve evolução no descarte correto de resíduos recicláveis, com aumento de 18,5% em relação a fevereiro de 2026. Entre os destaques estão os avanços na segregação de resíduos orgânicos, que somaram 32,6 toneladas.

Para o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a data reforça que o uso racional de medicamentos deve ser compreendido de forma ampla: da prescrição à administração correta, passando pela orientação ao paciente, pela prevenção da automedicação, pelo combate à resistência microbiana e pelo descarte seguro.

Sobre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz

No Hospital Alemão Oswaldo Cruz servimos à vida. Somos um hospital de grande porte, referência em alta complexidade e confiabilidade. Uma instituição de 128 anos, sólida, dinâmica e determinada a inovar e contribuir com o desenvolvimento da saúde. Nossa excelência é resultado da nossa dedicação, prontidão, empatia no cuidado e na nossa incansável busca pela melhor experiência e resultado para nossos pacientes, com qualidade e segurança certificados internacionalmente pela Joint Commission International (JCI). Contamos com um corpo clínico diversificado e renomado, além de um modelo assistencial próprio, que coloca o paciente e familiares no centro do cuidado. Nosso protagonismo no desenvolvimento da saúde é sustentado por três pilares estratégicos: Saúde Privada; Educação, Pesquisa, Inovação e Saúde Digital; Sustentabilidade e Responsabilidade Social.

Hospital Alemão Oswaldo Cruz – Registro CREMESP 9000039 – Responsável Técnico: Dr. Filipe Teixeira Piastrelli CRM: 152464/SP RQE: 114416

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