Com a confirmação de que a chance de um novo El Niño em 2026 já ultrapassa os 90%, o agronegócio de Mato Grosso se prepara para enfrentar um cenário de grande incerteza. O estado, maior produtor de soja e milho do país, deve sentir de forma direta os efeitos da irregularidade das chuvas e das ondas de calor mais intensas que caracterizam o fenômeno.

Especialistas alertam que o calendário agrícola pode ser profundamente afetado. A semeadura da soja, que depende de chuvas regulares no início da estação, corre risco de atrasos e falhas de germinação. Já o milho de segunda safra, plantado após a colheita da soja, pode enfrentar estresse hídrico em pleno desenvolvimento, comprometendo a produtividade. Além disso, a pecuária, que ocupa vastas áreas do estado, deve sofrer com a redução da qualidade das pastagens, exigindo maior investimento em suplementação alimentar.

O impacto econômico pode ser expressivo. Mato Grosso responde por cerca de um terço da produção nacional de grãos, e qualquer quebra de safra repercute nos preços internos e nas exportações. A pressão sobre os custos de produção, com necessidade de irrigação emergencial e maior uso de defensivos, deve reduzir margens de lucro e aumentar o risco de endividamento dos produtores.

Há também preocupação com a logística. Chuvas concentradas em períodos curtos podem provocar erosão e dificultar o transporte em estradas não pavimentadas, enquanto longos períodos de seca elevam a temperatura e comprometem o armazenamento de grãos. O cenário reforça a necessidade de planejamento estratégico, com adoção de tecnologias de monitoramento climático, diversificação de culturas e contratação de seguro rural.

O El Niño de 2026, portanto, não é apenas um desafio climático, mas um teste de resiliência para o agronegócio mato-grossense. A capacidade de adaptação dos produtores será determinante para reduzir perdas e garantir que o estado continue ocupando posição de destaque no mapa agrícola mundial.