Uso de aparelhos aprovados pelo Inmetro é essencial para garantir medições residenciais confiáveis

Julho de 2026 – Um estudo realizado pela Libbs com pacientes atendidos em práticas cardiológicas no Brasil identificou diferenças relevantes entre medições de pressão feitas em consultório médico e em casa1. Os dados reforçam a importância da monitorização residencial da pressão arterial (MRPA) como complemento para o diagnóstico e acompanhamento da hipertensão arterial1.

A pesquisa avaliou 1.229 pacientes sem diagnóstico prévio de hipertensão arterial e que não faziam uso de medicamentos anti-hipertensivos. Os participantes tiveram a pressão medida no consultório e depois durante quatro dias em casa. Enquanto as medições feitas em consultório classificaram 63,9% das pessoas como hipertensas, a monitorização residencial indicou hipertensão arterial em 43,9% dos pacientes1.

De acordo com o cardiologista Jairo Lins Borges, médico consultor da Libbs e um dos autores do estudo, medir a pressão arterial fora do consultório pode ajudar a identificar diferentes padrões da hipertensão arterial, já que os valores medidos em casa costumam ser mais baixos que em ambiente clínico1.

“A monitorização residencial da pressão arterial é uma ferramenta importante para complementar a avaliação médica e contribuir para um diagnóstico mais preciso”, afirmou o cardiologista. “Medições fora do ambiente clínico são importantes para diferenciar com maior precisão os diferentes perfis de pressão arterial, como hipertensão verdadeira, hipertensão do avental branco ou hipertensão mascarada”, completou.

Para que os resultados sejam confiáveis, é fundamental que a medição em casa seja feita corretamente e com equipamentos aprovados pelo Inmetro2. “A escolha do aparelho é um fator importante. O ideal é utilizar dispositivos com selo do Inmetro e seguir as orientações adequadas para a medição da pressão arterial”, disse Borges.

Entre as recomendações que devem ser seguidas durante a medição, estão sentar-se com as costas apoiadas, pés no chão e pernas descruzadas, manter o braço apoiado na altura do coração, com a palma da mão voltada para cima, posicionar a braçadeira diretamente sobre a pele, ajustada ao braço (nem muito frouxa, nem apertada demais), e não falar, se movimentar ou usar o celular durante a medição2.

Por outro lado, alguns hábitos podem levar a medições imprecisas, tais como medir a pressão logo após esforço físico ou situações de estresse, usar aparelhos não validados ou sem certificação, colocar a braçadeira sobre a roupa, cruzar as pernas ou deixar os pés suspensos, utilizar braçadeira de tamanho inadequado, e falar ou se mexer durante a medição2,3.

A hipertensão arterial atinge 29,7% da população brasileira, segundo dados da pesquisa Vigitel Brasil 2006-2024, vinculada ao Ministério da Saúde4. A doença é considerada um dos principais fatores de risco para problemas cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC)5.

Referências

1. Borges JL, Facó LL, Melo ES et al. Discrepancies between office and home blood pressure measurement: insights from a prospective, real world-evidence study in cardiovascular practices in Brazil. American Heart Association (AHA). 2025;82(Suppl_1): FR439.


2. Feitosa ADM, Barroso WKS, Mion Junior D, Nobre F, Mota-Gomes MA, Jardim PCB, et al. Diretrizes Brasileiras de Medidas da Pressão Arterial Dentro e Fora do Consultório – 2023. Arq Bras Cardiol. 2024;121(4):e20240113.

3. Kario K. Home blood pressure monitoring: current status and new developments. Am J Hypertens. 2021;34(8):783-794.

4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis. Vigitel Brasil 2006-2024: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2025 [Acesso em 5 mar. 2026]. Disponível em: Link 

5. Kjeldsen SE. Hypertension and cardiovascular risk: General aspects. Pharmacol Res. 2018;129:95-99.

Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional de saúde entrevistado.