Imagine pagar R$ 540 por ano só para manter a Câmara de Vereadores funcionando. Esse foi o custo aproximado por eleitor em Campo Novo do Parecis em 2025. Em Nova Mutum, R$ 360. Em Tangará da Serra, R$ 190. Em Lucas do Rio Verde, R$ 160. Em Campo Verde, R$ 240.
| Cidade | Vereadores | Habitantes (aprox.) | Eleitores | Custo anual por eleitor | Custo por vereador/ano | Gasto total da Câmara |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Campo Verde | 13 | 49 mil | 33.233 | R$ 240 | R$ 622 mil | R$ 8,0 milhões |
| Lucas do Rio Verde | 9 | 95 mil | 53.739 | R$ 160 | R$ 1,0 milhão | R$ 9,03 milhões |
| Tangará da Serra | 14 | 114 mil | 69.537 | R$ 190 | R$ 957 mil | R$ 13,41 milhões |
| Nova Mutum | 13 | 63 mil | 35.634 | R$ 330 | R$ 906 mil | R$ 11,79 milhões |
| Campo Novo do Parecis | 9 | 51 mil | 28.960 | R$ 540 | R$ 1,76 milhão | R$ 15,85 milhões |
O cálculo do custo foi feito por eleitor, pois presume-se que os eleitores tem algum tipo de renda, excluindo menores de 16 anos. A diferença entre o maior e o menor custo por eleitor é de mais de três vezes. E as cidades não são tão diferentes assim: todas no arco do agronegócio mato-grossense, com demandas semelhantes de infraestrutura, saúde e educação.
Campo Novo do Parecis tem nove vereadores e gastou R$ 15,85 milhões de um orçamento de R$ 17 milhões. Resultado: cada vereador custou cerca de R$ 1,76 milhão, o valor mais alto entre as cinco cidades analisadas.
Enquanto isso, Campo Verde, com 13 vereadores, gastou efetivamente R$ 8 milhões, e devolveu R$ 3 milhões custando R$ 622 mil por parlamentar, o menor custo por vereadores entre as câmaras de vereadores pesquisadas.
Não é questão de partido ou ideologia. É questão de gestão. Por que uma Câmara com menos vereadores gasta quase o dobro por parlamentar que outra com mais cadeiras? Por que uma cidade devolve R$ 4 milhões e outra apenas R$ 1,15 milhão?
Os vereadores são os representantes mais próximos do cidadão. São eles que aprovam (ou rejeitam) obras, fiscalizam o prefeito, criam leis locais. Mas quando o custo da representatividade dispara, a população tem o direito e o dever de perguntar: estamos recebendo fiscalização rigorosa, projetos relevantes e gestão responsável em troca desse dinheiro?
Os dados do TCE-MT estão disponíveis a um clique. Os links das câmaras também. Resta à população usar essas ferramentas, comparar, questionar e cobrar.
Porque, no fim das contas, é o dinheiro de cada um de nós que está na mesa.
Fizemos um levantamento sobre funcionamento de Câmaras de Vereadores em algumas cidades que tem algumas semelhanças culturais, demandas, proximidade com agronegócio e características populacionais, e encontramos algumas particularidades intrigantes quando o tema é uso do dinheiro público.
Você sabia que é a própria Câmara de Vereadores que aprova seus próprios limites de gastos? A Constituição Federal (art. 29-A) estabelece tetos máximos para as despesas do Legislativo Municipal, variando de 7% (municípios até 100 mil habitantes) a 3,5% (acima de 8 milhões), calculados sobre a receita tributária e transferências constitucionais.
Os subsídios dos vereadores são fixados pela própria Câmara (art. 29, V). Na prática, diversas Câmaras operam bem abaixo desses limites, demonstrando que é
viável exercer as funções legislativas com menor uso de recursos públicos.
