Em Brasília neste domingo (25), o raio caiu e o pânico veio junto. No meio da confusão, enquanto muitos gritavam e outros só filmavam, uma pessoa fez o que precisava ser feito. A médica e vereadora de Rondonópolis, Luciana Horta (PL), arregaçou as mangas e entrou no atendimento. Sem palco. Sem microfone. Com responsabilidade.
A descarga elétrica atingiu manifestantes que aguardavam a Caminhada pela Liberdade, em Brasília. Chovia forte. O clarão foi seguido de fumaça, cheiro intenso e correria. Pessoas caíram e houve até pisoteamento. Segundo dados oficiais, 89 pessoas foram atendidas no local, 47 levadas a hospitais e 11 em estado que exigiu cuidados mais complexos. Parte das ocorrências foi provocada pelo raio, outra por hipotermia.
Enquanto o cenário ainda era de desorganização, Luciana Horta se identificou como médica do SAMU e começou a trabalhar. Testemunhas relatam que, naquele primeiro momento, não havia médico acompanhando os bombeiros. Foi ela quem fez a triagem inicial, avaliou consciência, ajudou nos primeiros procedimentos e orientou os encaminhamentos.
“Ajudei umas quatro pessoas mais graves. Muitos diziam que não sentiam as pernas, outras estavam com hipotermia”, relatou.
Aqui entra o ponto que importa. Quando o discurso acabou, quando o palanque ficou inútil e quando a política não resolvia nada, quem fez diferença foi uma médica. Luciana Horta não estava ali pedindo voto, nem fazendo pose. Estava salvando gente. Cumprindo o juramento que fez ao se formar.
A atitude veio de quem sabe que mandato passa, discurso some, mas a vida de alguém no chão não espera.
