BRASÍLIA (DF) — A bronca dos CACs explodiu em Brasília nesta terça-feira (5) durante audiência pública convocada pelo deputado federal Rodrigo da Zaeli. O motivo foi o caos criado após a transferência do controle de armas do Exército para a Polícia Federal, mudança que, segundo parlamentares e representantes do setor, travou transferências, derrubou negócios e deixou milhares de atiradores no limbo burocrático.
Durante a audiência na Câmara dos Deputados, representantes de clubes de tiro, associações e parlamentares cobraram uma solução imediata para a lentidão nos processos envolvendo armas de colecionadores, atiradores e caçadores, os chamados CACs.
Zaeli afirmou que a troca do sistema do Exército para a PF abriu um verdadeiro “vácuo operacional”. Segundo ele, o antigo SisGCorp foi desativado antes que o Sinarm estivesse plenamente preparado para assumir a demanda. O resultado, segundo o parlamentar, foi uma fila gigantesca de processos parados, insegurança jurídica e prejuízos financeiros para o setor.
A Polícia Federal tentou minimizar a crise. O coordenador-geral de Controle de Armas de Fogo da PF, Wellington Clay, negou paralisação total e afirmou que os atendimentos seguem sendo feitos por e-mail enquanto o novo sistema não entra oficialmente em operação.
Segundo Clay, a PF já testa um portal automatizado com uso de inteligência artificial para acelerar os registros e transferências. Ele afirmou ainda que o primeiro Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) já foi emitido dentro do novo modelo.
Mas quem vive o problema na prática diz que a conversa ainda está longe da realidade. José Luiz de Sanctes, presidente da Associação Nacional de Atiradores (Anacac), afirmou que os atrasos continuam em vários estados e que há processos sem andamento há meses.
Outro ponto levantado foi o impacto econômico. O deputado Capitão Alden afirmou que clubes de tiro e empresas do ramo já acumulam prejuízos, com fechamento de unidades e perda de empregos.
A audiência também tratou da renovação dos registros de armas que vencem em julho de 2026. A Polícia Federal informou que a renovação ocorrerá de forma escalonada, conforme o mês de aniversário do proprietário, numa tentativa de evitar novo colapso no sistema.
A avaliação de representantes do setor é de que a mudança saiu no papel antes de estar pronta na prática. E enquanto Brasília troca sistema, o cidadão que tenta fazer tudo dentro da lei continua preso no labirinto da burocracia.
