O Hospital Santa Cruz, em Santa Cruz do Sul, a 153 km de Porto Alegre, entre a noite de quinta (22) e a madrugada desta sexta-feira (23), teve um plantão especial para o médico Carlos Dornelles e para o estudante de medicina Gustavo Cadore.
Carlos Dornelles foi o primeiro médico a entrar na boate após o incêndio e foi ele que organizou a transferência dos feridos de Santa Maria para Porto Alegre. Um dos casos era Gustavo Cadore, que estava bem grave e precisou de várias cirurgias.
Carlos Dornelles foi o primeiro médico socorrista a entrar na boate Kiss, em 27 de janeiro de 2013, após o incêndio que atingiu o local. Ele atendeu os feridos e organizou toda a transferência dos casos mais graves de Santa Maria para Porto Alegre. Ao todo, 57 feridos chegaram à Capital de avião ou helicóptero.
Cadore estava entre os socorridos e foi uma das últimas pessoas a sair da boate com vida, teve quase 40% do corpo queimado e ficou nove dias em coma no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Precisou passar por dezenas de cirurgias até que pudesse retomar a vida.
“Sempre tive essa vontade. E o incêndio me fez pensar mais nisso. Eu estive em uma situação de depender muito dos outros para fazer coisas que a gente dá como garantidas: respirar, caminhar, comer. Eu não conseguia tomar um copo de água sozinho. Agora, posso retribuir”
Gustavo Cadore – sobrevivente
A tragédia completou 11 anos, e o médico Carlos Dornelles entrou no local e recebeu a árdua tarefa de organizar a transferência dos feridos para Porto Alegre, o restante receberia atendimento na região.
Entre as 57 vítimas que chegaram à Capital de avião ou helicóptero, estava Gustavo Cadore, que foi um dos últimos a deixar a boate e teve 40% do corpo queimado, ficando nove dias em coma no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre e precisou de várias cirurgias.
O estudante, que tinha a defesa de doutorado em medicina veterinária marcada para março de 2013, mesmo mês do incêndio.
“Sempre tive essa vontade. E o incêndio me fez pensar mais nisso. Eu estive em uma situação de depender muito dos outros para fazer coisas que a gente dá como garantidas: respirar, caminhar, comer. Eu não conseguia tomar um copo de água sozinho. Agora, posso retribuir”
Gustavo Cadore – sobrevivente
As voltas que a vida dá voltas, Cadore prestou vestibular para algumas universidades e passou na Universidade de Santa Cruz do Sul, que tem convênio com o Hospital Santa Cruz, onde Dornelles, o médico que o salvou, trabalha.
Neste 20/02, quando a escala do plantão foi divulgada, foi o médico que reconheceu o nome de Gustavo.
“Foi o acaso que nos reuniu. Carlos quase chorou e eu também”,
Gustavo Cadore – sobrevivente
Agora, estudante e ‘mestre’, podem trocar experiências.
“Jamais passou pela minha cabeça que eu pudesse aprender com a pessoa que me ajudou daquela vez. É muito gratificante. Não tenho palavras para agradecer”,
Gustavo Cadore – sobrevivente
Cadore diz que tomou conhecimento do papel de Dornelles na sua vida há cerca de um ano, mas nunca havia falado com o médico. Quando saiu a escala do plantão, na terça-feira (20), o socorrista reconheceu o nome do aluno.
No plantão, Gustavo disse que aprendeu bastante com o doutor.
“[Foi] Gratificante. [Me sinto] honrado em poder aprender com ele. Passei pelas mãos deles sem nem saber [em 2013]. Trocamos muita ideia esta noite. Foi muito legal”, concluiu o plantonista.
Julgamento é suspenso
Por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, o novo júri dos réus pelo incêndio da Boate Kiss foi anulado. O julgamento começaria na próxima segunda-feira (26), em Porto Alegre.
O ministro atendeu a um pedido do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Toffoli considerou que a realização de um novo júri poderia causar “tumulto processual”, uma vez que ainda há recursos pendentes sobre o primeiro julgamento, realizado em 2021 e anulado pelo Tribunal de Justiça do RS.
Com a decisão, as condenações de Elissandro Spohr, Mauro Hoffmann, Luciano Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos, com penas que vão de 18 a 22 anos e meio de prisão, perderam validade. Eles chegaram a ser presos, mas posteriormente foram postos em liberdade.
*Fonte: G1
