O Encontro do PL Mulher, realizado neste sábado (1º), em Sorriso, reuniu lideranças políticas estaduais e nacionais, com destaque para a presença da ex-primeira-dama e presidente nacional do PL Mulher, Michelle Bolsonaro. O evento teve como foco o fortalecimento da participação feminina na política e a reafirmação dos valores conservadores do partido, mas também foi marcado por manifestações e debates internos que evidenciaram divergências dentro da legenda em Mato Grosso.

Antes do início da programação, faixas de repúdio à violência doméstica e contrárias a uma eventual aliança entre o PL e o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) foram colocadas nas imediações do local.

Com objetivo de deixar claro com mensagens que os integrantes do PL se opõem à aproximação com figuras políticas que já enfrentaram acusações de agressão. Em especial o protesto fazia referência ao caso ocorrido em 2021, quando Pivetta foi denunciado e chegou a ser preso em flagrante após um episódio de violência doméstica. Pouco depois do início do encontro, as faixas foram retiradas pela organização, o que gerou comentários entre os participantes.
O nome de Pivetta chegou a ser anunciado pelo cerimonial para compor o dispositivo de honra, mas o vice-governador não compareceu. A ausência foi interpretada por lideranças locais como uma forma de evitar constrangimentos diante da presença de Michelle Bolsonaro e de parlamentares que se posicionam contra qualquer aliança com figuras que tenham histórico de violência contra mulheres.
Durante o evento, Michelle Bolsonaro discursou em tom firme, destacando a importância do engajamento feminino na política e pedindo vigilância dos eleitores na escolha de representantes comprometidos com os valores conservadores. Ela também criticou políticos que, segundo ela, “surfam na onda do bolsonarismo” sem efetivamente defender o movimento.
As falas de Michelle foram interpretadas como um apoio à ala do partido que defende candidaturas próprias e alinhadas ideologicamente à direita, especialmente a do senador Wellington Fagundes (PL), que desponta como principal nome do partido para disputar o governo do Estado em 2026.
O senador foi amplamente citado e aplaudido ao longo dos discursos. Em entrevista, Fagundes reafirmou seu compromisso com a valorização da mulher e lembrou ser autor de um projeto que propõe destinar no mínimo 30% das candidaturas e vagas do Legislativo às mulheres. Ele também defendeu políticas públicas de apoio à mulher trabalhadora, como creches em tempo integral e igualdade salarial.
O presidente estadual do PL, Ananias Filho, confirmou que o partido terá candidaturas próprias em Mato Grosso e afastou a possibilidade de aliança com o Republicanos. “O PL vai com Wellington ao governo e José Medeiros ao Senado. Não abriremos mão da nossa coerência e do nosso compromisso com o povo”, afirmou.
A ex-prefeita Rosana Martinelli e a deputada federal Coronel Fernanda reforçaram o apoio a Fagundes, destacando sua trajetória política e capacidade de articulação em todo o Estado. Fernanda defendeu unidade e fidelidade interna: “O PL é Wellington Fagundes. Precisamos de confiança e coerência dentro do partido.”
Apesar das tensões e das manifestações iniciais, o encontro terminou com demonstrações de unidade e fortalecimento da base feminina e conservadora do PL. Para as lideranças presentes, o evento consolidou Wellington Fagundes como o principal representante da direita em Mato Grosso e deixou claro que o partido pretende seguir com candidaturas próprias, alinhadas ao bolsonarismo, nas eleições de 2026.
