Congresso aprova redução de benefícios e projeta arrecadação extra de R$ 22,4 bilhões em 2026; medida promete equilíbrio fiscal, mas acende alerta em setores estratégicos da economia
Brasília – O Congresso Nacional aprovou, na noite de 17 de dezembro, o projeto que reduz em 10% os incentivos fiscais concedidos a diversos setores da economia. A medida, que agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve reforçar o orçamento de 2026 com uma arrecadação adicional estimada em R$ 22,4 bilhões.
O que muda
O texto aprovado atinge principalmente:
- Apostas on-line (bets), que terão aumento de tributação.
- Fintechs, cujos serviços podem ficar mais caros para os consumidores.
- Empresas que remuneram acionistas via juros sobre capital próprio (JCP), que terão o benefício fiscal limitado.
Além disso, o corte linear de 10% nos incentivos fiscais impacta setores como o agronegócio, que perderá parte das desonerações sobre fertilizantes, defensivos agrícolas, frete e armazenagem.
A votação foi marcada por forte debate. Na Câmara, o projeto recebeu 310 votos favoráveis e 85 contrários. No Senado, também foi aprovado com ampla maioria.
O Governo considera a medida essencial para equilibrar as contas públicas e evitar cortes em programas sociais.
Para o etor privado: representantes do agronegócio criticaram o projeto, alegando que o aumento de custos pode pressionar os preços dos alimentos e prejudicar pequenos produtores.
Economistas: avaliam que a redução das renúncias fiscais é um passo importante para a sustentabilidade fiscal, mas alertam para os impactos em setores estratégicos da economia.
Especialistas apontam que o corte deve:
- Aumentar a arrecadação e dar fôlego ao governo para cumprir metas fiscais.
- Reduzir margens de lucro de empresas de apostas e fintechs, com possível repasse de custos ao consumidor.
- Elevar preços no agronegócio, especialmente em insumos e logística, afetando a competitividade e o bolso da população.
Entre os benefícios que poderão sofrer redução estão:
- Regime Especial da Indústria Química (Reiq);
- Créditos presumidos de IPI para empresas exportadoras;
- Créditos presumidos de PIS/Cofins para setores como farmacêutico, agropecuário, alimentos, transporte rodoviário de passageiros e exportações de café e cítricos;
- Alíquota zero de PIS/Cofins para importadores de fertilizantes, agrotóxicos e nafta petroquímica.
No caso do lucro presumido, o texto permite elevar em 10% a base de cálculo do imposto, mas apenas sobre a parcela da receita bruta anual que ultrapassar R$ 5 milhões.
A redução não atinge:
- Imunidades constitucionais (templos religiosos, partidos políticos, livros);
- Zona Franca de Manaus e áreas de livre comércio;
- Produtos da cesta básica nacional;
- Entidades filantrópicas sem fins lucrativos;
- Empresas do Simples Nacional;
- Programas como Minha Casa, Minha Vida e Prouni;
- Lei Aldir Blanc;
- Desoneração da folha de pagamentos;
- Incentivos para os setores de tecnologia da informação, comunicação e semicondutores.
Também ficam preservados benefícios concedidos por prazo determinado a empresas que já cumpriram contrapartidas exigidas em lei.
A medida é apresentada como um ajuste fiscal necessário, mas que abre espaço para tensões entre governo e setores produtivos.
